domingo, 3 de abril de 2016

Rua das rimas

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino 
pequenino,
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,
direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais,
 e varais nos quintais;
Acácias paralelas, todas elas belas,singelas,amarelas,
douradas,descabeladas,
debruçadas como namoradas pelas calçadas;
E um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço, baço e lasso;
E algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando d vez em quando,
na luz rara de opala de uma sala,
uma escala clara que embala;
E no ar da tarde que arde,
o alarde das crianças do arrabalde;
E de noite no ócio capadócio,
 junto aos lampiões, espiões,
os bordões dos violões;
E a serenata ao luar de prata,
(mulata ingrata que me mata e me maltrata)
e depois o silêncio,
O denso,
O intenso,
O imenso silêncio,
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino 
pequenino,
É uma rua qualquer,
onde desfolha um malmequer,
uma mulher que bem me quer,
é uma rua como todas as ruas,
com suas duas calsas nuas,
correndo paralelamente, 
como a sorte indiferente de toda a gente,
para a frente, para o infinito;
Mas uma rua que tem escrito, um nome bonito, bendito,
que sempre repito,
e que rima com mocidade,
liberdade, 
tranquilidade,
fraternidade,
RUA DA FELICIDADE...

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